Uma classificação histórica que mostra por que o futebol é imprevisível, emocionante e único.
Mais do que vencer a Alemanha, o Paraguai nos lembrou que persistir também é uma forma de fazer história.
Por Léo Lourenço
Tem gente que diz que o futebol é injusto. Eu prefiro dizer que ele é mágico.
Talvez seja o único esporte em que nem sempre o melhor vence. No vôlei, no basquete, na natação, no atletismo, a superioridade técnica costuma prevalecer. Mas o futebol insiste em lembrar que nem tudo pode ser previsto. E é justamente essa imprevisibilidade que faz dele o esporte mais apaixonante do planeta.
Hoje, o Paraguai eliminou a Alemanha, tetracampeã mundial, em uma das maiores surpresas desta Copa. E essa classificação não nasceu do acaso. Ela parece ser a recompensa de uma seleção que passou décadas batendo na trave.
Em 1998, caiu diante da França com um gol de ouro. Para quem não se lembra, naquela época a prorrogação terminava imediatamente quando uma equipe marcava o primeiro gol. Foi exatamente assim: depois de um jogo heroico dos paraguaios, a França marcou e a partida acabou na hora. Aquela mesma França levantaria a taça poucos dias depois.

Foto: AFP
Em 2002, o roteiro foi parecido. O Paraguai resistiu até os 43 minutos do segundo tempo, quando sofreu o único gol da Alemanha. Aquela seleção alemã acabaria chegando à final da Copa, enfrentando o Brasil.

Em 2010 veio outra batalha épica. Nas quartas de final, o Paraguai encarou a Espanha, teve chances reais de vencer inclusive um pênalti a favor, mas acabou derrotado por apenas 1 a 0. Aquela Espanha seria a campeã mundial.

Cardozo lamenta pênalti perdido enquanto espanhóis fazem festa ao fundo Getty
Percebe o tamanho da caminhada? Durante anos, o Paraguai foi eliminado por duas futuras campeãs do mundo e uma vice-campeã daquela edição, sempre de forma dramática, sempre vendendo muito caro a derrota. Parecia que faltava apenas um detalhe para a história mudar.
E o futebol tem memória.
Às vezes, ele devolve.
O Paraguai continuou acreditando, continuou evoluindo, continuou enfrentando gigantes sem se intimidar. Não desistiu porque o adversário tinha mais tradição, mais investimento ou mais estrelas. Entrou em campo para competir. E, quando a oportunidade apareceu, agarrou-a com todas as forças.
Talvez seja essa a grande lição que o Paraguai deixa para todos nós.
Na nossa vida, também enfrentamos “Alemanhas”. Pessoas mais preparadas, empresas maiores, concorrentes mais fortes, desafios que parecem impossíveis. Muitas vezes a gente perde por detalhes. Outras vezes, sente que fez tudo certo e, ainda assim, não conseguiu.
Mas desistir nunca muda a história. Persistir pode mudar.
O Paraguai nos lembra que a evolução é silenciosa. Ela acontece enquanto ninguém está olhando. A recompensa nem sempre vem na primeira tentativa, nem na segunda, nem na terceira. Mas ela pode chegar para quem continua acreditando, aprendendo e voltando ao campo.
No futebol e na vida, ninguém entra em campo sabendo o resultado.
E talvez essa seja a maior beleza de todas.
Porque, enquanto houver coragem para continuar jogando, sempre existirá a possibilidade de escrever uma história que parecia impossível.
