O Estádio Azteca precisou esperar.
Uma forte tempestade atrasou o início da partida por cerca de uma hora, mas nem a chuva foi capaz de esfriar a atmosfera criada por mais de 80 mil torcedores. Quando a bola finalmente rolou, o México transformou a ansiedade em festa. Com uma atuação segura e dominante, venceu o Equador por 2 a 0 e voltou a celebrar uma vitória em mata-mata de Copa do Mundo após 40 anos.
Os gols de Julián Quiñones e Raúl Jiménez, ainda no primeiro tempo, colocaram fim a um jejum que acompanhava gerações de torcedores mexicanos desde o Mundial de 1986. Mais do que a classificação às oitavas de final, o triunfo reacendeu a esperança de uma campanha histórica diante de sua própria torcida.
México impõe seu ritmo desde o início
Empurrado por um Azteca pulsante, o México não demorou a assumir o controle da partida.
A pressão alta dificultou a saída de bola equatoriana, enquanto o setor ofensivo encontrava espaços com naturalidade. Julián Quiñones abriu o placar após bela construção coletiva, e, pouco depois, Raúl Jiménez ampliou a vantagem, coroando um primeiro tempo praticamente perfeito dos donos da casa.
Na etapa final, a equipe administrou o resultado com maturidade, sem abrir mão da organização defensiva que tem sido uma das marcas da campanha.
Protocolo antidiscriminação volta aos holofotes
A partida também ficou marcada por um lance disciplinar envolvendo Piero Hincapié.
O zagueiro equatoriano foi expulso após cobrir a boca durante uma discussão com um adversário. A atitude chamou a atenção porque a FIFA orienta que conversas entre jogadores com a boca encoberta podem ser interpretadas como tentativa de ocultar possíveis ofensas ou manifestações discriminatórias, dentro do protocolo reforçado pela entidade nos últimos anos.
As medidas ganharam ainda mais visibilidade após os recorrentes episódios de racismo sofridos por Vinícius Júnior no futebol espanhol, que levaram a FIFA e outras entidades a endurecerem ações de combate à discriminação e ampliarem a fiscalização dentro de campo.
Embora não haja confirmação de que Hincapié tenha proferido qualquer insulto discriminatório, o gesto foi suficiente para que a arbitragem aplicasse o cartão vermelho, em uma decisão que rapidamente repercutiu entre torcedores e especialistas.

O Azteca volta a acreditar
A classificação representa mais do que uma simples vaga nas oitavas.
Desde 1986, quando também sediou a Copa do Mundo, o México não conquistava uma vitória em confrontos eliminatórios do torneio. O peso desse tabu acompanhou diferentes gerações, transformando cada nova eliminação em um fantasma para o futebol mexicano.
Agora, diante de sua torcida, o El Tri finalmente escreveu um capítulo diferente.
Sonho segue vivo
A atuação reforça a confiança de uma seleção que cresce a cada partida no Mundial.
Com quatro vitórias consecutivas, defesa ainda invicta e o apoio de um Estádio Azteca completamente tomado por seus torcedores, o México chega às oitavas embalado por um ambiente que há muito tempo não se via no país.
Depois de quatro décadas esperando por uma noite como esta, o futebol mexicano voltou a sentir que sonhar não é apenas permitido. Mas sim, uma real possibilidade.
