Nem toda partida memorável é lembrada pela qualidade do futebol.
Austrália e Egito fizeram um confronto de poucas oportunidades, bastante criticado por torcedores nas redes sociais pelo baixo nível técnico. Mas bastou a decisão chegar aos pênaltis para que o duelo ganhasse um roteiro digno de Copa do Mundo.
Após o empate por 1 a 1 no tempo regulamentar e na prorrogação, o técnico australiano Tony Popovic promoveu uma substituição que imediatamente levou muitos torcedores de volta ao Mundial de 2014: aos 119 minutos, retirou o goleiro Patrick Beach para colocar o experiente Mathew Ryan, pensando exclusivamente na disputa de penalidades.
A lembrança era inevitável.
Nas quartas de final da Copa do Mundo de 2014, o então treinador da Holanda, Louis van Gaal, fez exatamente a mesma aposta ao substituir Jasper Cillessen por Tim Krul segundos antes da decisão contra a Costa Rica. O resultado entrou para a história: Krul defendeu duas cobranças, classificou os holandeses e transformou a troca em um dos movimentos táticos mais emblemáticos já vistos em um Mundial.
Doze anos depois, porém, o desfecho foi completamente diferente.
Mathew Ryan não conseguiu defender nenhuma das cobranças egípcias. Seguro nas penalidades, o Egito converteu quatro batidas, viu a Austrália desperdiçar duas e venceu a disputa por 4 a 2, garantindo uma classificação inédita para as quartas de final da Copa do Mundo.
Um jogo de pouca inspiração
Se a disputa por pênaltis entregou emoção, os 120 minutos anteriores ficaram longe de empolgar.
Austrália e Egito cometeram muitos erros técnicos, criaram poucas chances claras e fizeram um confronto bastante travado, cenário que rapidamente virou alvo de críticas nas redes sociais. Muitos torcedores classificaram o duelo como um dos menos inspirados desta edição do Mundial.
Ainda assim, a tensão de uma vaga em jogo manteve o equilíbrio até o último instante.

Frieza egípcia decide a classificação
Na marca da cal, o Egito demonstrou personalidade.
Sem sentir a pressão, os Faraós converteram suas cobranças com segurança, enquanto os australianos desperdiçaram oportunidades decisivas. A tranquilidade dos africanos contrastou com a aposta frustrada da Austrália, cuja estratégia acabou dominando as conversas após o apito final.
Uma noite para entrar na história
A classificação representa um marco para o futebol egípcio.
Depois de décadas buscando protagonismo em Copas do Mundo, os Faraós conquistam uma das vitórias mais importantes de sua história recente e seguem vivos na luta pelo título.
No fim, o jogo dificilmente será lembrado pelo espetáculo apresentado.
