Nem sempre o protagonista da partida termina do lado vencedor.
A Argentina precisou de 120 minutos para superar a valente seleção de Cabo Verde e vencer por 3 a 2, em um dos confrontos mais emocionantes das oitavas de final da Copa do Mundo. Lionel Messi voltou a marcar e ampliou seus números históricos no Mundial, mas quem arrancou aplausos até dos torcedores argentinos foi o goleiro Vozinha, autor de uma atuação memorável que manteve sua seleção viva até os instantes finais.
Os atuais campeões do mundo abriram o placar com Messi, viram Cabo Verde empatar com Deroy Duarte, retomaram a vantagem com Lisandro Martínez já na prorrogação, sofreram novo empate em um golaço de Sidny Cabral e só garantiram a classificação quando Cristian Romero contou com um desvio contra de Diney Borges para decretar o 3 a 2 definitivo.
Messi segue fazendo história
Mesmo diante da forte resistência cabo-verdiana, Lionel Messi voltou a ser decisivo.
O camisa 10 abriu o placar com uma finalização de categoria após lançamento de Lisandro Martínez e chegou ao seu 20º gol em Copas do Mundo, isolando-se ainda mais como o maior artilheiro da história da competição. O argentino ainda comandou boa parte das ações ofensivas da Albiceleste e participou diretamente das jogadas que levaram ao terceiro gol.
Mas, desta vez, a noite não pertenceu apenas ao craque argentino.

Vozinha transforma o jogo em um duelo particular
Se Messi foi o líder técnico da Argentina, Vozinha foi o coração de Cabo Verde.
O goleiro de 40 anos protagonizou um verdadeiro duelo contra o camisa 10 argentino. Depois de sofrer o primeiro gol, respondeu com uma sequência de defesas espetaculares, vencendo pelo menos três confrontos diretos com Messi e impedindo que o craque anotasse um hat-trick. Suas intervenções foram decisivas para levar a partida à prorrogação e manter vivo o sonho cabo-verdiano.
A atuação coroou uma Copa extraordinária do experiente arqueiro, que já havia sido um dos grandes responsáveis pela campanha histórica da seleção africana.
Cabo Verde se despede fazendo história
A eliminação não diminui o tamanho da campanha cabo-verdiana.
Estreante em Copas do Mundo, a seleção surpreendeu ao avançar da fase de grupos depois de empates contra Espanha, Uruguai e Arábia Saudita. Nas oitavas, encarou a atual campeã mundial sem qualquer receio, buscou o empate duas vezes e obrigou a Argentina a disputar 120 minutos de um confronto intenso e dramático.
Foi uma despedida que deixou orgulho para um país de pouco mais de meio milhão de habitantes e respeito de todo o cenário internacional.
Argentina avança, mas o desgaste entra em campo
A classificação mantém vivo o sonho do bicampeonato, mas também acende um alerta para Lionel Scaloni.
Pela primeira vez nesta Copa, a Argentina precisou disputar 120 minutos para garantir a vaga. Em um torneio tão curto, cada minuto extra pesa principalmente quando a equipe depende tanto de um jogador como Lionel Messi.
Aos 39 anos, o camisa 10 continua sendo o cérebro da Albiceleste. Decisivo, criativo e capaz de resolver partidas com um único lance, Messi segue mostrando por que é um dos maiores da história. Mas a sequência de jogos, somada ao desgaste de uma prorrogação, inevitavelmente levanta uma dúvida: até que ponto será possível manter esse nível físico nas fases decisivas?
A partir de agora, a margem para administrar energia praticamente desaparece. Os adversários tendem a ser cada vez mais intensos, com elencos capazes de sustentar alta pressão durante os 90 minutos ou 120, se necessário. Um eventual duelo contra seleções de forte capacidade física, como a Colômbia, exigiria da Argentina um esforço ainda maior.
A Albiceleste segue entre as favoritas ao título. Mas, depois da batalha contra Cabo Verde, talvez o maior desafio de Scaloni seja fazer seu principal jogador chegar inteiro aos momentos em que a Copa costuma ser decidida.
